JUCA VARELLA
EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO
EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO
Reportagem do dia 18/11/2011
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08h50 Folha. com
A mulher entra em casa e se depara com a faxineira -meio corpo para fora
da janela da sala- paninho na mão, tentando limpar a vidraça. A
surpresa é seguida por uma bronca da patroa, explicando à empregada o
perigo a que ela está correndo.
A reprimenda segue. Finalmente, a faxineira olha para a patroa e
pergunta por que a mulher nunca comprou o rodinho para que ela não
precisasse se dependurar.
A cena é fictícia e já foi até mesmo explorada em filmes nacionais.
Porém, poderia se passar em muitas casas por aí, revelando um problema: a
negligência com a segurança de empregadas domésticas.
A queda de uma faxineira grávida do décimo andar de um prédio de
Florianópolis no mês passado (ela e o feto sobreviveram,
surpreendentemente) colocou a questão novamente em discussão.
Em São Paulo, nos bairros de Santa Cecília e Higienópolis, a Folha
flagrou empregadas praticamente penduradas nas janelas para limpar os
vidros. Em um dos casos, uma faxineira se arriscava no sétimo andar, sem
qualquer equipamento de segurança.
O risco é sempre minimizado, tanto pela funcionária quanto pela patroa, em conversas com os dois grupos.
"As empregadas se arriscam porque os patrões exigem o vidro sempre limpo
e não oferecem equipamentos que poderiam dar uma melhor segurança",
afirma Eliana Gomes Menezes, presidente do Sindoméstica, sindicato da
categoria.
"O ideal mesmo é a empregada nem fazer esse tipo de serviço arriscado.
Deveria ser contratada uma empresa de segurança para isso" diz ela.
Apesar da falta de segurança, casos como o de Santa Catarina nunca foram
registrados na cidade de São Paulo, segundo o Sindoméstica.
RISCO
O olhar atento para as janelas dos apartamentos paulistanos revela outro
problema. Não são apenas as empregadas que correm riscos.
Em dois lugares da avenida Higienópolis, prestadores de serviço de
instalação de redes passaram horas para o lado de fora do prédio. Um
deles, no décimo andar.
Em nenhum dos casos, os trabalhadores usavam equipamentos de segurança que pudesse evitar a queda.
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